Livro aberto não quer dizer prova fácil
Numa prova de livro aberto, toda a gente tem a lei à frente. O que separa os candidatos é a rapidez com que cada um encontra a disposição certa, a leitura com que a aplica e a disciplina com que gere o tempo. A prova de conhecimentos do concurso de gestor tributário e aduaneiro tem quarenta perguntas em cento e cinquenta minutos, ou seja, 3,75 minutos por pergunta, e a consulta é permitida só em suporte de papel: códigos, livros, manuais e outros elementos legais e administrativos.
A grelha de resolução publicada para a versão A da prova de 24 de maio de 2025 mostra o estilo: das quarenta respostas, vinte e nove apontam uma base legal ou normativa concreta (artigo de um código, de um regulamento, de um decreto-lei ou de uma norma de contabilidade), e as onze últimas são de contabilidade, gestão, estatística e informática, resolvidas por raciocínio ou cálculo. É uma leitura nossa da grelha, publicada pela entidade e citada aqui, nunca reproduzida: não se trata de adivinhar perguntas, mas de perceber que a maior parte da prova se responde abrindo o texto certo.
Passo 1: montar os seus livros para a prova
O aviso de abertura lista a legislação recomendada: Código dos Impostos Especiais de Consumo, Código Aduaneiro da União, Código de Procedimento e de Processo Tributário, códigos do IMT, do IMI, do IRC, do IRS e do IVA, Código do Procedimento Administrativo, Constituição da República, Lei Geral Tributária, Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, regime geral de prevenção da corrupção, a orgânica da entidade, o Sistema de Normalização Contabilística, os Tratados da União, entre outros. Esse é o seu conjunto de trabalho, e o guia programa e legislação da prova mostra a lista completa com a matéria que cada texto serve.
Algumas regras práticas:
- Edição datada. A prova responde-se segundo a legislação em vigor à data do aviso de abertura (junho de 2024). Use uma edição consolidada ou assinale nos seus códigos o que mudou depois dessa data, para não ser surpreendido.
- Um código por área, não uma pilha de manuais. Quarenta perguntas não dão tempo para folhear quatro obras para o mesmo artigo.
- Marcadores e separadores. Cole separadores nos títulos e capítulos; ponha nas margens os artigos que mais se repetem (definições, prazos, competências, exceções). Atenção às regras do dia sobre o que pode e não pode levar: ler as instruções da prova.
- Nada de aparelhos eletrónicos. Computadores, telemóveis, relógios inteligentes e máquinas de calcular são motivo de eliminação. Treine as contas à mão.
Passo 2: aprender o mapa de cada texto, não decorar artigos
A capacidade de localização treina-se. Para cada código, aprenda a estrutura (livros, títulos, capítulos), as definições que abrem cada matéria e os artigos-pivô que o resto remete. Quando uma pergunta pergunta «quem», «quando» ou «onde», o critério é quase sempre uma de três coisas: uma competência, um prazo ou uma exceção.
Um método que funciona é ler cada texto em três camadas. Na primeira camada, percorra o índice e escreva uma frase por título: «Aqui está o prazo para reclamar», «aqui estão as isenções». Na segunda, leia as definições e as regras gerais com lápis, sublinhando a palavra que dá a chave (o verbo, o número, a exceção). Na terceira, resolva perguntas e, para cada erro, volte ao artigo e escreva a regra por palavras suas. Os testes por matéria deste site dão a base legal de cada correção precisamente para fechar este circuito: errou, vê o artigo, escreve a regra, repete.
Evite o erro oposto, o de memorizar listas: na prova pode abrir o livro, e a memória serve melhor para saber que a regra existe e em que texto está do que para recitá-la.
Passo 3: gerir 3,75 minutos por pergunta
Quarenta perguntas em 150 minutos. As instruções da prova de 2025 fazem duas recomendações úteis: assinalar primeiro as opções no enunciado e só depois transcrevê-las para a folha de respostas; e reservar os últimos vinte minutos para preencher a folha com cuidado. Isto deixa cerca de 130 minutos para resolver, ou 3,25 minutos por pergunta.
Uma estratégia razoável, que não vem dos documentos do concurso, é fazer duas passagens:
- Primeira passagem (cerca de 60 a 70 minutos): responda de imediato às perguntas que reconhece e localiza em um minuto ou dois; marque no enunciado as que exigem um artigo longo, um cálculo ou uma busca.
- Segunda passagem (cerca de 60 minutos): volte às marcadas, por ordem de facilidade. Pare quando passar de cinco minutos numa pergunta sem avançar.
- Transcrição (últimos 20 minutos): passe todas as respostas para a folha, confira a versão do enunciado (A, B, C ou D), o nome, o documento, o NIF e a assinatura.
Como a resposta errada não desconta, responda a todas: uma pergunta em branco vale zero, tal como um erro. Se faltarem segundos, escolha a alínea mais provável.
Passo 4: treinar com simulados no mesmo formato
O simulado deste site tem o formato descrito nos documentos do concurso: 40 perguntas, 4 opções, 150 minutos. Em vez de tirar as perguntas ao acaso, cada simulado reparte-as pelas matérias do programa, com uma repartição inspirada na da grelha de 2025 e ajustada para que todas as matérias do programa entrem pelo menos uma vez. Cada pergunta mostra, no fim, a base legal da correção.
Uma rotina possível: testes de matéria (dez perguntas cada, tempo proporcional) nas primeiras semanas, para fixar a localização; simulados completos depois, com os códigos em papel, o relógio e a folha de respostas; e, em cada simulado, uma lista dos erros com o artigo certo ao lado. A nota do simulado é calculada com o barème da prova: 0,5 valores por resposta certa, sem desconto, escala de 0 a 20.
O que fazer com os erros
Cada erro pertence a uma de quatro famílias, e cada família tem a sua cura.
- Erro de localização: sabia a regra, mas não a encontrou a tempo. A cura é o índice, os separadores e mais prática com o mesmo código.
- Erro de leitura: encontrou o artigo e leu a exceção ao contrário ou ignorou o «salvo». A cura é sublinhar os conectores (salvo, exceto, desde que, sem prejuízo).
- Erro de versão: a regra de hoje não era a de junho de 2024. A cura é verificar a data da redação e anotar a mudança no código.
- Erro de cálculo: prazos, percentagens, quantias. A cura é refazer a conta à mão, sem máquina, e perceber onde falhou o passo.
Registe cada erro numa folha com três colunas: pergunta, artigo certo, regra por palavras suas. Reler essa folha uma semana depois rende mais do que refazer o teste.
Perguntas frequentes
Dúvidas habituais de quem prepara uma prova de livro aberto.
Posso levar os meus códigos anotados?
Devo responder a tudo, mesmo sem certeza?
Quantas semanas de preparação são necessárias?
Fontes
- Aviso n.º 12982/2024/2, texto publicado na oferta BEP OE202406/0869 (procedimento concursal para gestor tributário e aduaneiro). Autoridade Tributária e Aduaneira (consultada em 16 de outubro de 2026)
- Ata n.º 1 do júri do procedimento, 25 de junho de 2024. Autoridade Tributária e Aduaneira (consultada em 16 de outubro de 2026)
- Prova de conhecimentos, instruções aos candidatos, 24 de maio de 2025. Autoridade Tributária e Aduaneira (consultada em 16 de outubro de 2026)
- Grelha de resolução da prova de conhecimentos de 24 de maio de 2025, versão A. Autoridade Tributária e Aduaneira (consultada em 16 de outubro de 2026)
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O Teste Tributário Aduaneiro é um serviço privado de preparação, editado pela PYROBLAST SAS (França). Não tem qualquer ligação à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e não é aprovado, patrocinado nem reconhecido por esta ou por qualquer entidade pública. Curso sem reconhecimento oficial. As regras do concurso são as do aviso de abertura publicado no Diário da República.